21 de agosto de 2011

Lugar "VIP" na coleção - Fica a dica.

Em 1987, o Violeta de Outono debutava na RCA, com um LP que levava apenas o nome do trio. Na década de 90, Fabio Golfetti conseguiu junto à gravadora, autorização para relançar esse e o segundo LP, Em Toda Parte, em CD, num formato 2 em 1.
Essencial por preencher uma lacuna do rock nacional, a edição 2 em 1, no entanto, não teve o apuro técnico que Fabio tanto desejava. E foram necessários mais de 20 anos para que ele pudesse ver seu sonho se realizar.

Desde 2006, ele acertava os últimos detalhes para um lançamento caprichado dos dois primeiros discos do trio, hoje quarteto. E não foi apenas o som que melhorou muito. Para essas edições, a Voiceprint optou em fazer no formato mini-LP, especialidade dos japoneses, copiando a arte gráfica de capa, contra-capa, encarte. E o som...

Bem, o som é algo de fazer o fã se ajoelhar e agradecer a Fabio por ter conseguido os masters originais com a RCA. Ele mesmo ressaltou a diferença de som que teria em uma entrevista que fiz com ele em 2006. Aliás, veja o que falou sobre os relançamentos: "Já estão comigo as masters originais de 16 e 24 canais gravadas nos estúdios da RCA, agora é apenas uma questão de disponibilidade para mergulhar nas mixagens que sei que vai dar um bom trabalho, mas acredite, não comecei ainda, pois fico contemplando maravilhado aquelas gravações. Como se gravava bem naquele estúdio! Aquele equipamento analógico de primeira... eles tinham mesa NEVE, gravadores Studer, Ampex e os melhores microfones do mundo. A idéia é lançar os 2 LPs em CDs separados com os respectivos bônus, que são faixas inacabadas, que gravamos, mas não entraram nos LPs. Também faremos as capas originais com o máximo de informação que conseguirmos lembrar."

Além das nove faixas clássicas, o disco trouxe quatro extras: as instrumentais "Noite Escura", "Caminho" "OM Voice" e a cover dos Rolling Stones, "2000 Light Years From Home". Toda a essência do Violeta está aí, intacta, mas com uma pureza que não foi possível encontrar na edição 2 em 1. Ouça com cuidado em um fone de ouvido e perceba as nuances de voz e instrumentos em "Declínio de Maio", por exemplo, e compare com a edição anterior. Fabio teve o extremo cuidado na remixagem e na masterização do disco, feitas no estúdio Seven Keys, em São Paulo, em março de 2007. Segundo ele, "tudo que você ouve no CD estava no tape original, porém, na mixagem ou foi limado ou mixado muito baixo." E ele avisa: "No Em Toda Parte a diferença será mais brutal". Que os fãs se considerem avisados.

Esse primeiro disco será acompanhado do lançamento de Em Toda Parte, por volta do dia 20 de junho. Fabio promete ainda relançar, em breve, o lendário EP de 1986, da Wop-Bop, onde tudo começou. Há também um belo texto, em inglês, de René Ferri, ex-proprietário da Wop-Bop.

O CD pode ser encomendado no site da banda, por R$ 29,90. Uma obra-prima atemporal e obrigatória os amantes da boa música.

Violeta de Outono - Violeta de Outono (1987)*


Num porão do bairro de Pinheiros - São Paulo, em março de 1984 foi formada por Fabio Golfetti, Claudio Souza (ex-membros da primeira formação da banda Zero) e Angelo Pastorello o Violeta de Outono. O som foi um resultado da integração do rock psicodélico/progressivo e elementos de arte contemporânea como a arquitetura e artes visuais. Em novembo de 1985 num pequeno gravador de dois canais é registrada a primeira demo-tape contendo ‘Outono’, ‘Dia Eterno’, Declínio De Maio’ e ‘Reflexos Da Noite’. No dia 12 dezembro deste mesmo ano acontece a primeira apresentação ao vivo do Violeta De Outono, banda convidada para abrir para a banda Sotaque (Dialect) no teatro Lira Paulistana, em São Paulo. Em 1986 a loja especializada Wop Bop cria seu próprio selo independente e convida Violeta De Outono para inaugurá-lo, gravando seu primeiro vinil.

Em julho de 86 começa às gravações com o selo Wop Bop no estúdio Country Produções e em setembro é o lançamento do EP ‘Violeta De Outono’, gravado em 8 canais; o disco surge como uma marca definitiva da sonoridade da banda. Para o lançamento de seu primeiro disco, a banda excursiona em São Paulo e Rio de Janeiro; também toca no show do Ira!, ‘Vivendo e não Aprendendo’, na Praça do Relógio, na USP, para aproximadamente 10.000 pessoas. Um novo selo está surgindo no mercado fonográfico neste ano e Violeta De Outono mais uma vez é convidado para fazer a estréia, dessa vez o selo Plug, da BMG-Ariola, dedicado exclusivamente ao rock alternativo. Enquanto isso, a banda viaja pelo estado de SP, se apresenta de novo no Rio de Janeiro e marca presença na cidade de São Paulo com uma série de shows no SESC Pompéia. Em 1987 o Violeta De Outono fica em segundo lugar, de acordo com a crítica e em primeiro, na votação dos leitores da revista Bizz, e é considerada a Banda Revelação de 1986 e recebe o prêmio num evento que lotou o Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro ao lado do The Cure, Titãs e IRA!.

Em março e maio de 1987 é o início das gravações nos estúdios da BMG-Ariola (RCA na época), em São Paulo e em julho o LP ‘Violeta De Outono’chega às lojas, registrando o repertório que estava sendo apresentado em muitas apresentações da banda desde o início, além da regravação de ‘Outono’ e da consagrada cover ‘Tomorrow Never Knows’, dos Beatles. No Observatório Nacional, no Rio de Janeiro, é gravado o videoclipe ‘Dia Eterno’. O novo álbum é lançado com shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 12 de dezembro, com a transmissão de uma apresentação ao vivo nos estúdios da 89 FM a banda comemora, junto com a rádio, 2 anos de existência e dá origem ao programa ‘Ensaio Geral’. Em 1988 tem nova nova eleição na Bizz e a capa do novo LP é considerada, pela crítica e pelo público, a segunda melhor capa de 1987. Uma antiga idéia da gravadora Wop-Bop e da banda – lançar um EP de covers – se torna realidade com a assinatura de um contrato.

Em maio começam as gravações do EP nos estúdios Softsynk. Com ‘The Early Years’, o Violeta De Outono se aproxima mais de outros músicos através do saxofone de Livio Tragtenberg e seus arranjos para um trio de cordas, além do registro definitivo das influências que marcaram a evolução da banda. Em agosto este trabalho é executado ao vivo no auditório do MASP (Museu de Arte de São Paulo), durante três dias. Em outubro de 87 começam as gravações do quarto álbum. Produzido por Fabio Golfetti e RH Jackson, o novo trabalho acrescentará novas tonalidades sonoras ao estilo do Violeta De Outono com a utilização de instrumentos étnicos sintetizados eletronicamente e de samplers. Tendo passado por um estúdio de produção eletrônica e depois finalizado nos estúdios da BMG-Ariola, começam as mixagens do LP ‘Em Toda Parte’. Mas, atrasos na prensagem impedem a chegada do LP às lojas no tempo esperado, mas o Violeta De Outono apresenta o novo disco, ainda nas fitas master – além de toda sua carreira musical – em um programa de 2 horas e meia na rádio Brasil 2000, em São Paulo.

 O LP ‘Em Toda Parte’ chega às lojas e a Wop-Bop lança o trabalho de covers ‘The Early Years’ em cassete, em edição limitada de 500 cópias. Em outubro acontecem os shows de lançamento de ‘Em Toda Parte’ em São Paulo. Ao mesmo tempo a Wop-Bop lança o primeiro single da Ópera Invisível, trabalho solo de Fabio Golfetti ligado ao poeta-músico australiano Daevid Allen, do grupo psicodélico inglês Gong. O compacto, ‘Numa Pessoa Só’, foi incluído entre os melhores do ano na parada independente do programa 12 O’Clock Rock, da rádio californiana KPFK. Em novembro de 87 a banda se apresenta em Porto Alegre, no teatro OSPA e gravação especial para a TV Educativa. Em Janeiro1990, durante uma pausa nos ensaios e shows, o Violeta De Outono começa um intercâmbio com distribuidoras independentes dos EUA, entre elas a Wayside Music. Junho. E Claudio Souza deixa a banda por algum tempo. Ele é substituído em alguns shows por Claudio Fontes (Faces & Fases e a banda de Edgar Scandurra). No dia 28, a banda faz show no Circo Voador para 3.000 pessoas. Já em 1991 começam a gravar material para o primeiro disco da Ópera Invisível, que conta com Fabio Golfetti, May East e Renato Mello. No dia 1°. de Junho acontece a primeira materialização ao vivo da Ópera Invisível (Invisible Opera) no Projeto Atmosferas, no SESC Pompéia, SP. No dia 11 de julho de 91 acontece Show do Violeta De Outono no Aeroanta, com Claudio Fontes na bateria e Renato Mello no saxofone.

Deixo para vocês, a versão original do primeiro álbum, "Violeta de Outono".
Curtam!!!


*Agradeço o texto ao site "Lágrima Psicodélica".

Violeta de Outono - Memories/Demo



Álbum que explora todo o trabalho do Violeta de Outono. São 17 canções, passando por versões iniciais de músicas que fariam parte do repertório clássico da banda até canções instrumentais que parecem ter sido esquecidas em uma demo tape bem longínqua.

O disco abre com uma versão de “Outono” que traz uma curiosidade: uma batida que remete a “She’s Lost Control”, do Joy Division, nos primeiros segundos. Segundo Fábio, nessa época, Cláudio testava um “ron tom tom” e que deu essa sonoridade na canção. A segunda faixa, “Transe”, traz um clima Echo and The Bunnymen total nos solos de guitarra. A seguir, cinco canções bem conhecidas do fãs: “Fim do Começo” (primeiro nome de “Declínio de Maio”), “Luz”, “Tomorrow Never Knows” e “Violeta '67 (depois rebatizada como “Reflexos da Noite”). Seguem bons momentos com “Noturno”, a instrumental “Autumn”, “Heavy Man” (regravada no disco Mulher da Montanha como “Lágrimas do Dragão”).

As sete faixas seguintes valem mais como curiosidade em conhecer como o grupo formou o seu repertório, apesar da qualidade sonora precária. Arquivo do Rock!!

Espero que gostem.

20 de agosto de 2011

Violeta de Outono - Mais um bom Progressivo nacional


Origens

Em 1981, após o termino das atividades de sua primeira banda (Lux), o vocalista Fábio Golfetti conhece o baterista Claudio Souza, e juntos, participam da primeira formação da banda carioca Zero, ficando somente até gravar um dos primeiros singles da banda.

Após sairem do Zero, Fábio Golfetti e Claudio Souza se juntam ao baixista e fotógrafo Angelo Pastorello, e formam em 1984 a banda Violeta de Outono.

Primeiras gravações
Em 1986, com os primeiros shows, a banda começa a ter um público cativo, e acaba sendo convidada pela loja de discos Wop-Bop para lançar um EP com apenas três músicas, dentre elas Outono, uma das músicas mais conhecidas da banda.

Após o bom resultado do lançamento do EP, a banda assina com a gravadora RCA (hoje, selo pertencente à Sony Music), que lança em 1987 pelo selo Plug, o primeiro LP, batizado de "Violeta de Outono", que além de Outono, continha músicas como Declínio de Maio, Dia Eterno e o cover de Tomorrow Never Knows dos Beatles, considerado pelos ferozes críticos da época, ser tão bom quanto o original dos Fab Four.

Já em 1989 é lançado o segundo LP, intitulado "Em Toda Parte", que acaba não tendo o mesmo resultado do LP de estreia. Neste LP destaca-se a música-título do álbum.

Pós RCA / Surgimento do Invisible Opera of Tibet
Porém, com o fim do selo Plug da RCA, o Violeta de Outono acaba ficando sem gravadora, e neste período o vocalista Fábio Golfetti lança, através do produtor dos primeiros LPs da banda, um flexi-disc intitulado Numa Pessoa Só, sob o nome de Opera Invisível, um projeto o vocalista segue ao longo dos anos.

Durante o início dos anos 90, o Violeta de Outono faz alguns shows esporádicos com Claudio Fontes na bateria, no lugar de Claudio Souza que se afasta da banda. Neste mesmo período Fabio Golfetti resolveu abraçar de vez o projeto "Invisible Opera of Tibet", conceito idealizado por Daevid Allen, do Gong, e que tinha como princípio a junção de uma visão em comum do universo e uma evolução espiritual, ligando músicos de vários pontos do planeta. Começou a aquecer o selo Invisível, que depois do single solo de Fabio, lançou (ao lado de Renato Mello e da cantora May East), o disco The Eternal Voice.

A partir desta data, o "Invisible Opera of Tibet" começou a tocar em pequenas casas de São Paulo, com a mesma formação do "Violeta de Outono", porém com um som mais experimental e com um pequeno público.

A Volta
Nestes shows como "Invisible Opera of Tibet", surge em 1994 a idéia de fazer um show como "Violeta de Outono". O resultado foi a casa cheia.

Com isto, a banda inicia as gravações do novo álbum, que seria lançado somente em 1999, intitulado "Mulher na Montanha", porém sem Claudio e Angelo, que saíram da banda frustrados com a pouca receptividade comercial e foram substituídos por Sandro Garcia (baixo) e Gregor Izidro (bateria).

Durante um ano e meio, a banda com a nova formação fez várias apresentações, fazendo ressurgir os velhos fãs e criando novos. Neste período, a banda chegou a abrir shows para o Focus em São Paulo e tocou com o mutante Sérgio Dias no Rio ArtRock Festival. Neste mesmo período, Angelo Pastorello volta a banda.

Em 2004, Fábio Golfetti lança Early Years Complete, contendo 14 canções, passando por sobras de estúdios e versões ao vivo.

Em 2005 o grupo volta com novo álbum e com a formação inicial da banda, adicionada da presença do tecladista Fernando Cardoso. É o lançamento do CD Ilhas, contando ainda com Gregor, na bateria. Neste álbum a banda volta a viver seus grandes momentos, com músicas como Blues, Eclipse, Língua de Gato em Gelatina e Ecos.

Em 2007 a banda lança seu mais novo álbum, intitulado "Volume 7", com o baixista Gabriel Costa no lugar de Angelo, que se afasta da banda. Neste álbum a banda se aproxima mais ainda do som progressivo, com forte presença dos teclados de Fernando Cardoso.

Em 2010, a banda lançou o álbum "Espectro"

Em 2011, a banda lança em DVD o show da Virada Cultural em 2009, gravado no Teatro Municipal, em São Paulo.

Discografia
• Violeta de Outono - 1987
• Em Toda Parte - 1989
• Eclipse - Ao Vivo - 1995
• Mulher Na Montanha - 1999
• Live at Rio ArtRock Festival '97 - 2000
• Ilhas - 2005
• Volume 7 - 2007
• Espectro - 2010
• Theatro Municipal, São Paulo, 3 de maio de 2009 - 2011

Em breve, alguns downloads dessa banda que eu não conhecia e achei bem legal.
Abraços a todos e bom final de semana!!!