21 de setembro de 2008

Syd Barret - Complicado, genial, louco, ''out of this world''...


Aproveitando a onda Floydiana desse blog, trago um pouco da história de um dos membros fundadores, em 1960, do Pink Floyd.

Roger Keith Barrett (1946 - 2006). Nascido em Cambridge, ao dia 6 de Janeiro de 1946, filho de um patologista chamado Arthur Barrett com uma inglesa típica chamada Winifred Barrett que apoiava a veia musical do filho e o encorajou para entrar na Cambridge County School. Barrett ganhou o apelido de Syd devido a um baterista local chamado Sid Barrett. Roger Barrett então começou a ser conhecido como Syd Barrett aos 15 anos, em 1961.


Após 4 anos, o jovem Syd Barrett, aos 19 anos se junta com amigos da Regent Polytechnic School, e após várias tentativas de se formar uma banda (passando por nomes como Abdabs, T-Set, Sigma 6) Syd se junta com Bob Klose, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason, fundando o “The Pink Floyd Sound” em 1966 e gravando 2 singles: “Lucy Leave” e “I’m a King Bee”. O guitarrista Bob Klose sai da banda, deixando Syd efervescer suas idéias acima dos outros componentes e começar a fazer pequenos shows no Underground Londrino.


No final de 1966 , Syd abrevia o nome da banda para Pink Floyd, nome este retirado de 2 bluesman da Califórnia , da década de 40: Pink Anderson e Floyd Council. Em 1967, o guitarrista Syd Barrett e a banda Pink Floyd assinam contrato com a EMI para gravar o single Arnold Layne, que fez um tremendo sucesso em clubes como UFO Club e Marqueé Club, todos fazendo parte da Swing London e da era da psicodelia. Aí começou o uso abusivo de drogas por parte de todos integrantes da banda. Mas Syd ia além. Ele experimentava qualquer mistura química que o deixasse fora do ar. “Ele fazia os almoços de domingo, e por vezes, ele era capaz de jogar meio repolho em sua direção” diz Mike Leonard , professor e dono da casa onde ensaiavam.

Originalmente era o vocalista, guitarrista e principal compositor da banda Pink Floyd, principalmente no seu primeiro álbum The piper at the gates of dawn (1967). Foi também o autor dos singles "See Emily Play" e "Arnold Layne", e ainda de dois álbuns a solo. Foi também um guitarrista inovador, um dos primeiros a explorar completamente as capacidades sonoras da distorção e especialmente da recém desenvolvida máquina de eco.

Embora a sua atividade na música pop tenha sido reduzida, a sua influência nos músicos dos anos 60 (e das gerações seguintes) especialmente os do Pink Floyd, foi profunda.


À medida que a popularidade dos Floyd aumentava, assim como o consumo de drogas psicotrópicas por parte de Syd (especialmente LSD), a sua apresentação nos concertos tornava-se mais e mais imprevisível e o seu comportamento geral um estorvo para o sucesso da banda. Os problemas vieram ao de cima durante a primeira turnê do grupo pelos Estados Unidos, no fim de 1967. Syd começou a ficar extremamente difícil e cada vez mais ausente; tendo essa ausência e o seu estranho comportamento começado a causar problemas ao grupo.

Conta-se muitas histórias sobre o comportamento bizarro e imprevisível de Syd, algumas delas sem dúvida falsas, mas outras sabe-se que foram verdade. Numa ocasião famosa, no programa de televisão de Pat Boone, recusou-se a fingir que atuava, ficando parado, braços caídos ao longo do corpo e olhando fixamente para a câmara. Noutro incidente bem conhecido, diz-se que antes de entrar em palco Syd teria esmagado uma caixa inteira de tranquilizantes Mandrax, misturou com uma grande quantidade de creme para cabelo Brylcreem, depois pôs a mistura sobre a cabeça e colocou-se por debaixo dos projectores de palco; a mistura viscosa derreteu e começou a escorrer pela sua cara dando a aparência de estar derretendo. Outra história diz que Syd apareceu no estúdio apresentando aos colegas uma música nova chamada Have You Got It Yet.

Conforme ele ia ensinando a canção ao grupo tornou-se óbvio que ele mudava os acordes cada vez que a tocava, tornando impossível a sua aprendizagem. Tem-se afirmado que os seus problemas com a droga não teriam sido apenas da sua responsabilidade, que ele era regularmente 'doseado' (drogado sem seu conhecimento) por "amigos" que lhe davam LSD todos os dias, embora antigos amigos de Syd Barrett tenham desmentido este fato num artigo sobre Barrett publicado no The Observer em 2002.

Quaisquer que fossem as causas, o que é certo é que passados apenas dois anos da formação do Pink Floyd, Barrett abandonou o grupo. Após ter gravado algumas partes do segundo álbum dos Pink Floyd, A saucerful of secrets em 1968 - incluindo Jugband Blues, que faz referências óbvias à sua crescente indiferença em relação à banda - Barrett foi dispensado do grupo.

A intenção original era de que Barrett continuasse a contribuir para a escrita e gravação e como ele era o principal compositor, havia a esperança que ele desempenhasse um papel semelhante ao do líder dos Beach Boys, Brian Wilson, que apesar de ter deixado de atuar ao vivo, tinha continuado a compor para o grupo. Mas Syd cada vez contribuía menos e o seu comportamento era cada vez mais errático, de tal forma que os outros membros do grupo deixaram de convidá-lo para os concertos e sessões de gravação.


O grupo contratou um velho amigo de Cambridge, guitarrista, David Gilmour, para primeiro aumentar a banda e depois substituir Syd nos concertos, mas depressa ficou óbvio que Syd nunca mais voltaria. A transição foi fácil pelo fato de Gilmour ser capaz de ocupar o lugar de Syd (foi Gilmour quem ensinou Barrett a tocar guitarra) e que mesmo que ao seu estilo faltasse o experimentalismo atrevido pelo qual Syd era conhecido, era considerado um vocalista e compositor talentoso e um guitarrista dotado. Assim, Gilmour tornou-se um membro permanente da banda, com o baixista Roger Waters tomando a liderança do grupo.

O declínio de Syd teve um profundo efeito na escrita de Gilmour e Waters e o tema da doença mental e a sombra da desintegração de Syd penetrou nos três álbuns de maior sucesso dos Pink Floyd, The dark side of the moon, Wish you were here e The wall.


Syd foi retirando-se do mundo da música aos poucos, embora tivesse feito uma breve carreira solo editando dois álbuns idiossincráticos mas bastante considerados The Madcap Laughs (1970) e Barrett (1971). A maior parte do material de ambos os álbuns foi escrita no seu período mais produtivo (fins de 1966 e princípio de 1967), acreditando-se que terá escrito muito pouco após ter deixado os Floyd.

O primeiro álbum apresenta fortes indícios do frágil estado de espiríto de Syd, com faixas como "Dark globe", que mostram claramente que apesar de ele ter bom material para trabalhar era práticamente incapaz de participar em algumas sessões. O segundo álbum mostra um maior esforço em conseguir um acabamento mais polido. Em ambos os álbuns Syd trabalhou com o empresário dos Floyd, Peter Jenner, com Waters, Gilmour e com membros dos Soft Machine.


Syd contribuiu também para a gravação do LP "Joy of a toy" de Kevin Ayers, embora a faixa em que ele tocou guitarra, "Religious Experience (singing a song in the morning)" não fosse comercializada até 2003.


Houveram algumas sessões para um terceiro álbum que foram abortadas e que segundo consta, terminaram após Syd ter atacado um empregado do estúdio que lhe apresentou umas letras escritas em vermelho e que Syd, presumindo que tratava-se de contas para pagar teria mordido a mão do funcionário. Syd passou muitos dos anos seguintes pintando e as poucas telas que ele deu ou vendeu são hoje muito valiosas. Syd continuou a pintar e muitas vezes a ouvir música, estando entre os seus favoritos os Rolling Stones, Booker T. & The MGs e compositores clássicos, não tendo dado nenhuma atenção a uma compilação do Pink Floyd que lhe foi oferecida.

Syd continuou sofrendo de doença mental, bem como de problemas físicos provocados por uma úlcera péptica; mais recentemente foi-lhe diagnosticado diabetes. Foi ocasionalmente hospitalizado, existindo muita especulação entre os seus fãs e a imprensa sobre as causas desses internamentos. De acordo com um artigo publicado em The Observer em 2002, Syd não tomava qualquer medicação e especula-se que poderia sofrer de uma forma severa da Síndrome de Asperger. Apesar do fato de Syd não ter aparecido ou falado publicamente desde 1973, o tempo não diminuiu o interesse na sua vida e obra, nem o interesse da imprensa na sua história; jornalistas e fãs continuaram a deslocar-se a Cambridge à sua procura, invadindo a sua privacidade.


O álbum de 1975 "Wish you were here" foi um tributo a Syd Barrett (que diz-se ter aparecido de surpresa numa sessão de gravação, afirmando estar pronto para trabalhar outra vez); a faixa "Shine on you crazy diamond", que abre e fecha o álbum, fala sobre Syd Barrett, pelo apelido que é reconhecido por alguns membros do Pink Floyd. A faixa " I know where Syd Barrett lives" de Television Personalities é outro tributo bem conhecido. Supostamente, Roger Waters, usou a partida de Barrett e a sua condição, como inspiração para o álbum The dark side of the moon, assim como, terá baseado o comportamento e personalidade de 'Pink', o principal personagem do filme The Wall, na vida real de Barrett.

Em 1988 a EMI editou "Opel", um álbum de material não editado de Barrett gravado em 1970. A EMI editou também "The best of Syd Barrett - Wouldn't you miss me?" no Reino Unido em 16 de Abril de 2001 e em 11 de Setembro do mesmo ano nos EUA.


Faleceu no dia 7 de Julho de 2006, em Cambridge, aos 60 anos de idade. As causas não foram confirmadas. Especula-se que tenha morrido por complicações relacionadas com a diabetes, enfermidade da qual sofria há anos, embora o jornal inglês The Guardian diga que a causa foi câncer. Apesar de seu funeral ter sido aguardado por inúmeros fãs, somente a família esteve presente na cerimônia.

Espero que tenham gostado dessa importante parte da história do Rock. Abraços e voltem sempre!!!

Nenhum comentário: