11 de maio de 2008

Gov't Mule - Não tem como não gostar...

Excelente banda, excelentes músicos, excelentes músicas. Som denso, com grande instrumentação, experiência única na audição da guitarra, sequências muito boas de instrumentos apresentados ao longo da música.

Quem gosta do estilo Blues-Rock, com certeza vai gostar muito da grande qualidade apresentada por essa banda. Ao longo da semana vou postando algumas coisas deles. Ouçam, entre outros, o CD “High And Mighty”, especialmente a música “Unring the Bell” e “Nothing Again”, grandes obras, sem falar nos excelentes dois primeiros álbuns, "Gov't Mule" e "Dose".

O link no final desse post é para o 1º Álbum, "Gov't Mule".


PARA QUEM QUISER SABER UM POUCO MAIS

Um pouco da história da banda e de seus principais músicos:

MAIO DE 1994 - Após mais uma apresentação num clube em Los Angeles, Warren Haynes e Allen Woody, respectivamente guitarrista e baixista do "The Allman Brothers Band", resolvem prosseguir numa "jam-session" e eis que sobe ao palco o batera Matt Abts... Após tocarem algum tempo, Warren olha para Woody e pensa "ele está certo, eis o homem que precisávamos..." O fato é que havia já algum tempo que ambos estavam pensando em retomar o som dos "power-trios" tão em voga durante as décadas de 60 e 70 e eis que durante uma conversa surgiu a idéia de se criar um projeto paralelo ao ABB:

[Warren] ...eu, você e o baterista certo...
[Woody] ...sim, eu, você e Matt Abts...

...nascido em Oklahoma (30/09/1953) e tendo viajado por praticamente todos os EUA morando em diversas bases militares (seu pai era tenente do exército), até se radicar definitivamente em Virgínia aos 16 anos, e começado sua carreira tocando em bares, tendo ao pouco se consolidado como músico de apoio, inclusive tocado junto com gente do cacife de Ronnie Montrose, Mick Taylor (ex-Rolling Stones) e Chris Anderson, Matt, em meados de 1985 toca por algum tempo na banda de Dickey Betts, onde fica conhecendo Haynes e...

... Allen Woody, nascido em Nashville (03/10/1955), tendo participado de diversas bandas regionais de country-rock e blues, incluindo "The Artimus Pyle Band". Chegou também a participar de uma turnê da banda de Peter Criss. Porém, foi atuando como músico de estúdio que conheceu um guitarrista que mais tarde iria convidá-lo para tocar no Allman Brothers. Seu nome: Warren Haynes...

... nascido em Asheville (06/07/1960) Haynes começou à atuar como músico profissional aos 16 anos de idade, tocando em algumas bandas locais, tendo permanecido por algum tempo numa banda chamada "Ricochet", que chegou à atingir algum sucesso regional, até que em 1980 recebe um convite de David Allan Coe (famoso músico de country-rock norte-americano) para tocar em sua banda. Através dele fica conhecendo Dickey Betts e Gregg Allman, quando abriram um show dos Allman Brothers em Atlanta. Dickey fica impressionado com o estilo do jovem guitarrista. Em 1984 ,após excursionar por todos os EUA e Europa, Warren retorna a Nashville para fazer alguns trabalhos como músico de estúdio, na mesma época em que Dickey estava por lá gravando um álbum solo e precisava de algumas pessoas para atuar como "backing vocals", e então Warren foi um dos escalados. Ao vê-lo, Dickey perguntou: "o que faz aqui?" Warren respondeu: "vou ser um dos backing-vocals". Dickey então disse: "ok, trouxe sua guitarra?" Warren respondeu que não e ambos começaram a rir.

Prosseguiram nos trabalhos, e mais tarde Dickey convidou Warren para trabalhar em algumas músicas, que acabaram sendo inclusas no álbum "Pattern Disruptive". Greg também gostou do guitarrista, tendo inclusive gravado uma faixa de sua co-autoria (Just before the bullets fly) e quando o Allman Brothers foi reformulado em 1989 Warren foi chamado para ser o guitarrista da banda, função que com o passar do tempo foi se ampliando, até o ponto de estar atuando nos vocais e compondo. Além disso, Warren tocou como músico de estúdio em vários discos e lançou um disco solo em 1993.

Após este contato inicial, começam a ensaiar e eis que um dia Jaimoe (baterista do Allman Brothers), após assistir a um desses ensaios, sugere adotarem o nome "Gov’t Mule", ao que a banda prontamente aceita. Nas palavras de Haynes "este nome pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes; por outro lado serve perfeitamente para nos descrever - somos como um indolente, trabalhador e não-glorioso animal!". (Embora não haja uma tradução apropriada para a língua portuguesa, Gov’t Mule significa algo próximo a "mula de carga do governo", fazendo uma alusão aos excessos políticos do governo).

Fizeram sua primeira apresentação em 12/05/94 no The Palomino, Hollywood CA, mesclando composições próprias com alguns covers (Mr. Big, Little Red Rooster, Killing Floor), porém com uma roupagem totalmente diferente (podemos até dizer, "com uma roupagem à la Gov’t Mule"), característica e que se mantem até hoje. Costumam tocar muitos covers ao vivo (War Pigs do Black Sabbath, Thick As A Brick do Jethro Tull, My Generation do The Who etc). Com isto surgiu uma outra peculiaridade da banda, o fato de praticamente não repetirem nenhum set, tornando cada show uma experiência única para os presentes.

Evidentemente os fãs mais "hardcores" e principalmente aqueles completistas teriam motivos de sobra para arrancar os cabelos, afinal é virtualmente impossível acompanhar todas as apresentações da banda! Porém outra característica peculiar do pessoal é permitir que todos os shows sejam gravados pelos fãs! Embora não se trate de uma prática nova, afinal o pessoal do Grateful Dead já fazia isto desde a década de 60, o Gov’t Mule é a primeira banda que além de fazer isto, ainda cede espaço no seu site oficial na Internet para os fãs trocarem gravações!

No ano seguinte lançam seu primeiro auto-intitulado cd pela Relativity Records, contando com três releituras - dentre elas uma canção ,"a capella", do bluesman Son House - gravado praticamente ao vivo (com exceção de alguns poucos overdubs - descritos no encarte do cd!). Um dos pontos altos é "Trane" - inspiradíssimo instrumental baseado e em homenagem a John Coltrane - um dos ídolos de Haynes.

Prosseguem fazendo shows que vão se tornando cada vez mais concorridos, até que no início de 1996 lançam seu primeiro registro ao vivo, o "Live at Roseland Ballroom", gravado na noite de Ano Novo de 95/96 (totalmente sem overdubs), numa turnê conjunta com o pessoal do Blues Traveler. Abrem com uma versão ampliadíssima (16:34min) e cheia de improvisos de "Trane", passando por uma releitura de "Don’t Step On The Grass, Sam" (do Steppenwolf), culminando com outra versão inspiradíssima de "Mule".
"Táis pronto prô coice da mula?" (frase ouvida na fila da bilheteria), hehehe...

Em 1996 vêm ao Brasil para se apresentar no Nescafé & Blues Festival, fazendo três apresentações, uma no Palace em São Paulo dia 30/05, que além de canções próprias coverizam "Mr.Big" do Free, "Don’t step on the grass, Sam" do Steppenwolf, "Presence of the Lord" do Blind Faith e "Just Got Paid" do ZZ Top. Dia 31 é a vez do Canecão, no Rio em 31/05, onde vamos ouvir dentre outras Mr.Big/Presence of the Lord e "End of the line" dos Eagles. Por fim, em Salão de Atos, em Porto Alegre dia 01/06, onde além de tocarem os covers já citados, ainda incluem Born under a bad sign (versão à la Cream) e Never in my life (Mountain).

Ainda em 1996 Haynes é eleito pela segunda vez consecutiva "best slide guitarrist" pela conceituada Guitar Player americana pelo seu trabalho no Gov’t Mule. Isto aliado à crescente fama angariada pelo trio culmina numa inversão de valores, pois inicialmente tanto Haynes quanto Woody viam a banda como um projeto paralelo ao Allman Brothers Band e no final estavam dedicando menos tempo a esta última. Com isto resolvem deixar os Allman definitivamente em Abril de 1997.

Neste mesmo ano assinam com a Capricorn Records e gravam mais um cd de estúdio, desta vez produzido por Michael Barbiero (Soundgarden, Gun’s Roses, Blues Traveller). Lançado em fevereiro de 1998, Dose possui mais uma canção "a capella" ("John The Revelator"), instrumentais intrigantes ("Thelonius Beck" - homenageia Thelonius Monk e Jeff Beck!), covers inusitados ("She Said She Said" dos Beatles), e pela primeira vez uma doce e lírica canção encerrando o cd - "I Shall Return". Um detalhe interessante deste trabalho é que há uma edição limitada em vinil com uma faixa a mais!

Ainda neste ano gravam "Gonna send you back to Georgia" para um tributo ao bluesman Hound Dog Taylor, lançado pela Alligator Records.

Novamente, na noite de Ano Novo fazem mais uma apresentação memorável, desta vez no "The Roxy" em Atlanta, que rende mais mais um cd (desta vez duplo) ao vivo: "Live... With A Little Help From Our Friends", lançado pela Capricorn no início de 1999. Possui boa parte do show (afinal foram mais de 4 horas de duração!). Porém os fãs mais radicais não ficam inteiramente contentes, e eis que dia 16 de novembro deste mesmo ano soltam no mercado um box set contendo o show na íntegra.

Allen e Matt trabalharam também num projeto paralelo, o "Blue Floyd" - no qual juntamente com Marc Ford, Johnny Neel e Berry Oakley Jr. se dedicam a tocar covers do “Pink Floyd” em versão "bluesy"...

Grande abraço e ouçam que vale a pena.

1º Álbum - "Gov't Mule":

3 comentários:

Rosa Maria disse...

Xexa, está ampliando rápido seu blog.Parabéns

Rosa

Marcos Lima disse...

... bicho sinto vergonha de dizer que não conhecia essa banda. Gostei demais do album, parabens!

Xexa disse...

Isso aí Marcos, a banda é muito boa mesmo!! Valeu pela visita!!